Bem o organismo funciona com um "mecanismo de proteção", um fenômeno bem documentado na ciência do esporte, conhecido como "Efeito de Interferência" do treinamento concorrente (quando força e endurance são treinados juntos).
Para simplificar uma via bioquímica complexa, pense que dentro das suas células musculares existem dois "interruptores" principais que respondem a diferentes tipos de treino:
mTOR (Alvo da Rapamicina em Mamíferos): Este é o interruptor do crescimento e anabolismo. A tensão mecânica gerada pelo treinamento de força é o principal estímulo endógeno para ativação do mTOR no músculo, especialmente quando combinada com disponibilidade adequada de aminoácidos. Quando o mTOR é ativado, ele sinaliza para a célula produzir mais proteínas e reparar as fibras musculares, o que favorece o crescimento do músculo.
AMPK (Proteína Quinase Ativada por AMP) é uma enzima sensora de energia celular. O principal estímulo para sua ativação é a redução na relação ATP/AMP, algo comum em exercícios de endurance prolongados ou situações de estresse energético. Quando ativada, a AMPK sinaliza para a célula economizar energia: inibe processos anabólicos que consomem muito ATP (como a síntese proteica) e estimula vias catabólicas para produzir energia, aumentando a oxidação de gorduras e a capacidade aeróbica.
O Problema (O Efeito de Interferência): A via da AMPK tem a capacidade de inibir ou "desligar" a via do mTOR.
Quando você faz um treino de força intenso, você liga o interruptor mTOR, dizendo ao seu corpo: "Construa músculos!". Se, imediatamente a seguir, você engaja em um aeróbico longo e desgastante, você liga com força o interruptor AMPK, que por sua vez envia um sinal contrário: "Pare de construir, precisamos de energia agora!".
Essa sinalização conflitante atenua a resposta anabólica do treino de força.
Respondendo às Suas Preocupações Específicas:
Sua Solução Proposta é a Ideal
Perda de Músculos: Sim, o risco é real. Uma sessão combinada muito longa e intensa eleva significativamente os níveis de cortisol, um hormônio do estresse que é catabólico (decompõe tecido muscular). O ambiente hormonal criado (AMPK alta, cortisol alto) é desfavorável para a manutenção e construção de massa magra, podendo levar à sua perda a longo prazo.
Efeito Rebote: O "rebote" pode ser entendido como uma consequência disso. Se você consistentemente atenua os ganhos de força e hipertrofia, a sua capacidade de "construir o motor metabólico" fica comprometida. Com menos massa muscular, sua Taxa Metabólica Basal diminui, tornando o processo de emagrecimento mais difícil e a recuperação do peso (rebote) mais provável se a dieta não for perfeitamente ajustada.
A estratégia que você sugeriu — separar os dois tipos de treino com um intervalo de pelo menos 4-6 horas e uma boa reposição calórica (e proteica) entre eles — é considerada o padrão-ouro para atletas e indivíduos que buscam maximizar os resultados de ambos os estímulos.
Por que funciona tão bem?
Permite a Sinalização Anabólica: Ao treinar força pela manhã, por exemplo, você ativa o mTOR. A refeição pós-treino fornece os nutrientes (proteínas e carboidratos) para a síntese proteica. A via do mTOR pode então "trabalhar" por várias horas sem a interferência da AMPK.
Otimiza a Performance: Ao realizar o aeróbico à tarde, seu corpo já iniciou a recuperação do treino de força e suas reservas de glicogênio estão, pelo menos parcialmente, repostas, permitindo um desempenho melhor na sessão de cardio.
Gerenciamento Hormonal: Duas sessões mais curtas e separadas tendem a gerar um pico de cortisol menos pronunciado e prolongado do que uma única sessão maratona.
Se for impossível separar os treinos, a segunda melhor opção é fazer o cardio após a musculação, mas optar por uma modalidade mais curta e intensa (como 15-20 minutos de HIIT) ou mais leve (como 20-30 minutos de caminhada), minimizando a ativação excessiva da via AMPK e o estresse catabólico. Força intensa seguida de aeróbico longo — é a combinação que apresenta o maior potencial de interferência.
Melhore 1% a cada dia em 1 ano!
por Costa Rodrigues Coach
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